quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mulheres do inverno

I

Os que lamentavam não o fizeram parar. Nem a grande multidão ou mesmo o corpo do homem morto na maca. Foi a mulher – a expressão em seu rosto e a vermelhidão em seus olhos. Ele soube imediatamente o que estava acontecendo. Era o filho dela que estava sendo carregado, seu único filho. E se alguém conhece a dor que vem de perder seu único filho, Deus conhece… (Lucas 7:11-17)

II

Sua intenção era tirar uma soneca enquanto os meninos iam para a cidade buscar comida. E que lugar melhor para descansar do que em um poço ao meio dia. Ninguém vem buscar água a esta hora. Então ele se sentou, se espreguiçou e se encostou no muro do poço. Mas seu cochilo foi logo interrompido. Ele abriu um olho apenas o suficiente para vê-la arrastando-se trilha acima com um jarro pesado em seu ombro. Atrás dela vinha meia dúzia de crianças, cada uma parecendo ser de um pai diferente… (João 4:1-42)

III

Quando ela chegou até Jesus, ela não tinha nada a perder. Os médicos haviam tirado seu último centavo. O diagnóstico havia furtado sua última esperança. E a hemorragia havia roubado seu último pingo de energia. Ela não tinha mais dinheiro, nem amigos e nem opções. Com a ponta de sua corda em uma mão e uma asa e uma oração em seu coração, ela abriu seu caminho através da multidão… (Lucas 8:43-47)

Três mulheres. Uma enlutada. Uma rejeitada. Uma morrendo. Todas sozinhas.

Sozinhas no inverno da vida.

Apesar de não sabermos como elas eram, seria justo supor que elas tinham passado do auge de serem desejadas. As únicas cabeças que se viravam enquanto elas andavam pela rua eram as cabeças balançando com pena. Uma das três era viúva e sem filhos, outra havia perdido sua inocência há seis quartos atrás e a terceira estava quebrada, desesperada e morrendo.

Se Jesus as tivesse ignorado, quem perceberia? Em uma cultura onde as mulheres estavam apenas um ou dois grau acima dos animais de fazenda, ninguém pensaria nada se ele tivesse passado silenciosamente pelo funeral, fechado seus olhos e se encostado no poço ou ignorado o puxão em seu manto. Afinal, elas eram apenas mulheres!

Esgotadas,

enrugadas,

exaustas.

Mulheres do inverno.

Deixe-as sozinhas, Jesus, alguém poderia argumentar. Encontre alguém com um pouco de primavera.

Pelos padrões do mundo, estas três não podiam dar nada em troca. Elas cumpriram seu propósito: tiveram seus filhos, alimentaram suas famílias, satisfizeram seus homens. Agora era hora de empurrá-las para o frio até morrerem, dando espaço para as jovens e impecáveis.

Foi lá que Jesus as encontrou. Tremendo no granizo gelado da inutilidade.

O frio inverno da vida.

Soa familiar? Claro que sim. Nós temos nossas próprias pessoas do inverno. Pessoas que pela falta de boa aparência ou de poder aquisitivo suficiente andam por aí como porcos-espinhos em um piquenique, indesejáveis e inacessíveis.

Difícil de acreditar?

Visite um colégio algum dia e procure os adolescentes que já sentem os ventos frios da rejeição.

Ou tente Miami Beach. Não me refiro à praia do norte onde os turistas pagam $150 por dia para ficarem bronzeados. Eu me refiro à praia do sul, uma cidade deliberadamente construída para os exaustos. Veja-os arrastando os velhos pés pela calçada. Eles vieram para o seu cemitério. Eles preenchem suas noites com sonhos da neta que talvez venha para o próximo Natal. E apesar da Gold Coast ser quente, em suas almas sopram os ventos do inverno.

Ou reflita sobre os não nascidos. A cada vinte segundos um é tirado do calor do útero e lançado no lago frio do egoísmo…

Os parágrafos poderiam continuar indefinidamente. Parágrafos sobre tetraplégicos, vítimas da AIDS ou doentes terminais. Pais solteiros. Alcoólatras. Divorciados. Cegos. Todos são marginalizados socialmente. Leprosos, mutantes. Todos, em um grau ou em outro, evitados pelo “mundo normal”.

A sociedade não sabe o que fazer com eles. E, infelizmente, nem mesmo a Igreja sabe o que fazer com eles. Muitas vezes eles encontrariam uma recepção mais calorosa no bar da esquina do que em uma classe da escola dominical.

Mas Jesus encontraria um lugar para eles. Ele encontraria um lugar para eles porque ele se importa. E ele se importa incondicionalmente.

Não, ninguém teria culpado Jesus por ignorar as três mulheres. Ter virado sua cabeça seria muito mais fácil, menos controverso e nem de longe arriscado. Mas Deus, que as fez, não poderia fazê-lo. E nós, que o seguimos, também não podemos.

Autor: Max Lucado
Fonte: Irmãos

Destrua alguns muros

A cruz de Cristo cria um povo novo, um povo sem restrições de cor de pele ou contenda familiar. Uma cidadania nova baseada, não em geografia ou ancestrais comuns, mas em um Salvador comum.

Meu amigo Buckner Fanning experimentou isso em primeira mão. Ele era um fuzileiro naval na Segunda Guerra Mundial em Nagasaki três semanas após o lançamento da bomba atômica. Você consegue imaginar um jovem soldado americano no meio dos escombros e destroços da cidade demolida? Vítimas queimadas pela radiação vagando pelas ruas. Despejamento de precipitação atômica sobre a cidade. Corpos queimados em um caixão preto. Sobreviventes arrastando-se pelas ruas, procurando por famíla, comida e esperança. O soldado vitorioso sem sentir vitória mas aflição por causa do sofrimento a sua volta.

Ao invés de raiva e vingança, Buckner encontrou um oásis de graça. Enquanto patrulhava as ruas estreitas, ele se deparou com uma placa que tinha uma frase em inglês: Igreja Metodista. Ele anotou o endereço e decidiu voltar no domingo seguinte de manhã.

Quando voltou, ele entrou em um prédio parcialmente desmoronado. Janelas, estilhaçadas. muros, deformados. O jovem fuzileiro naval atravessou os escombros, sem saber como seria recebido. Por volta de quinze japoneses estavam arrumando as cadeiras e removendo os entulhos. Quando o americano uniformizado entrou no meio deles, eles pararam e se viraram.

Ele só sabia uma palavra em japonês. Ele a ouviu. Irmão. “Eles me receberam como um amigo”, Buckner relata, a força do momento ainda ressoa mais de sessenta anos depois dos eventos. Eles lhe ofereceram um assento. Ele abriu sua Bíblia e, sem entender o sermão, sentou e observou. Durante a comunhão os adoradores levaram os elementos a ele. Naquele momento tranquilo a inimizade de suas nações e a dor da guerra foram colocadas de lado enquanto um cristão servia a outro o corpo e o sangue de Cristo.

Outro muro caiu.

Quais os muros que estão no seu mundo?

Brian Overcast está derrubando muros em Morelia, México. Como diretor do centro NOÉ (Novas Oportunidades na Educação), Brian e sua equipe tratam o problema da imigração ilegal com uma abordagem única. Os membros do grupo me contaram recentemente, “Os mexicanos não querem cruzar a fronteira. Se eles pudessem ficar em casa, eles ficariam. Mas eles não podem porque não conseguem empregos. Então ensinamos inglês a eles. Com conhecimentos de inglês eles podem ser aceitos em uma das universidades de baixo custo do México e encontrar uma carreira em casa. Outras pessoas veem imigrantes ilegais; nós vemos oportunidades”.

Outro muro derrubado.

Nós não podemos viver nossas vidas se não conseguimos ir além dos nossos preconceitos. Quem são os seus samaritanos? Eunucos etíopes? De quem você foi ensinado a desconfiar e evitar?

É hora de eliminar alguns tijolos.

Bem-vindo ao dia que Deus o leva à sua Samaria – não tão distante em quilômetros, mas diferente em estilos, gostos, linguagens e tradições.

E se você encontrar um eunuco etíope, tão diferente mas também tão sincero, não recuse essa pessoa. Não deixe que classe, raça, sexo, opinião política, geografia ou cultura obstrua o trabalho de Deus.

“Portanto, aceitem-se uns aos outros, da mesma forma que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus” (Romanos 15:7).

Senhor, de quantas maneiras o meu coração tolo faz distinções erradas entre o seu povo? Revele-as a mim. Quantas vezes eu julgo alguém como indigno do senhor pela maneira como eu trato ele ou ela? Repreenda-me em seu amor. Onde eu posso destruir alguns muros ou eliminar uma barreira que mantém seus filhos separados uns dos outros? Dê-me algumas dinamites e habilidade e coragem para usá-las para a sua glória. O que eu posso fazer em minha esfera ou influência para levar o amor de Cristo a alguém que possa sentir-se banido ou afastado do senhor? Forneça-me discernimento divino e abençoe-me com a determinação de ser suas mãos e seus pés. Que eu possa ser uma ponte e não um muro. Em nome de Jesus eu oro, amém.

Fonte: Site do Pastor