segunda-feira, 18 de abril de 2011

Avanço do mar ameaça Recife e Rio

Nível dos oceanos deve subir até 58 centímetros até fim do século. O RJ também seria afetado
Recife e RJ são as duas cidades costeiras do Brasil que mais sofrerão com a elevação do nível dos oceanos.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o mar avançará de 28 a 58 centímetros, até o fim do século.
O assunto está na pauta de grupo de trabalho do IPCC reunido em Paris, na França, até quinta-feira.
“Além de muito plano, o Recife é atravessado por rios”, justifica Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São Paulo. Ele é um dos 13 brasileiros que integram o IPCC, com mais de dois mil cientistas ao redor do mundo.
Nobre se refere aos Rios Capibaribe e Beberibe. “Se o nível do mar sobe, o dos rios também se eleva”, justifica o pesquisador.
Ele destaca que a cidade já enfrenta enchentes. “A elevação do nível do mar apenas agravará a situação”, afirma o engenheiro, ligado ao Centro de Previsão e Estudos Climáticos (CPTEC-Inpe).
O problema, uma conseqüência do aumento da temperatura global, poderá ser piorado por outras variações climáticas em escala planetária.
“Imagine uma tempestade em cima do oceano, aliada a um vento forte soprando na direção da costa e a muita água de chuva trazida pelos rios”, descreve Nobre.
A inclusão do Recife nos relatórios do IPCC tem origem num estudo iniciado em 1989 por equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Claudio Freitas Neves, um dos autores do trabalho, estimou que a elevação de um metro no nível do mar sucumbiria bairros como Brasília Teimosa, na Zona Sul. Segundo ele, o aumento é de 25 milímetros por ano no Recife e de 20 milímetros por ano no RJ.
“Na época, recomendamos a instalação de um marégrafo, que mede a altura das marés, para o acompanhamento do problema”, conta Neves.
Ele diz que a erosão da praia nos litorais do Recife e de Jaboatão dos Guararapes acentua o impacto da elevação do nível do mar.
“A areia, na maré alta, é removida da praia e depositada por trás dos recifes de arenito. Quando a maré baixa, a água não ultrapassa os recifes, por isso os sedimentos não retornam”, esclarece Neves.
O pesquisador do Laboratório de Geofísica e Geologia Marinha da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Valdir Manso alerta que os bairros às margens do Capibaribe serão os mais atingidos.
“É que o rio, em razão da elevação do nível do mar, vai ampliar a área de enchente”, explica.
(Jornal do Commercio, Recife, 30/1)

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