quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Dimensão do Amor

Existem três palavras gregas para definir os tipos de amor: Fíleo, Eros e Ágape.
1. Fíleo: É o amor entre irmãos e amigos.
Há casais que, com o passar do tempo, pela afinidade e companheirismo, têm a aparência de serem irmãos de sangue. Daí a expressão: “Foram feitos um para o outro.”
2. Eros: É o amor sexual. É a legitimidade do matrimônio na intimidade do casal. É o amor erotizado, apaixonado. São duas pessoas de sexo oposto que se fundem numa só carne. É a cumplicidade do amor que se doa, que se entrega fisicamente. O amor Eros é essencial numa relação por dois motivos básicos:

  • A procriação, dando à luz filhos que se tornam herança do Senhor, e

  • O prazer proporcionado por momentos de agradável envolvimento sexual.

3. Ágape: É o amor incondicional de Deus pelo ser humano feito à sua imagem e semelhança. É o amor derramado graciosamente no coração do homem. É com este amor que os filhos de Deus, isto é, “aqueles que se tornam filhos em Cristo Jesus”, são privilegiados, pois podem também corresponder com o mesmo amor.

Em I Coríntios 13 temos as principais características que precisam ser observadas na vida de um casal que pretende seguir a orientação do Senhor. “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (I Coríntios 13:1-3.)

O amor não pode ser comparado com os sonidos repetitivos, ensurdecedores de um sino de uma Igreja no alto de uma torre anunciando diariamente algum tipo de acontecimento. O amor deve ser novidade a cada dia, não deve ser rotineiro. O som do amor é harmônico, melodioso, um som de uma orquestra afinadíssima com uma infinidade de sons que alimentam a alma e o espírito e que mantém o corpo saudável para um relacionamento de amor entre um homem e uma mulher.
Hoje é comum ouvirmos reclamações de casais quanto à rotina do dia a dia: “Todo dia a mesma coisa. Nada de criatividade.” Eu fico imaginando se fôssemos obrigados a comer feijão com arroz todos os dias. Com certeza o nosso organismo não agüentaria. Temos que ter um cardápio variado, para podermos gozar de boa saúde. O amor deve ser criativo, envolvente e surpreendente, pois não se ama apenas de palavras, mas de gestos, de demonstrações práticas diárias.
No meio evangélico é comum depararmos com casais que não se harmonizam. Estão sempre desafinados, desorientados. Muitos são até líderes em suas Igrejas e respeitados como homens e mulheres de Deus, porém no seio de sua própria família, deixam a desejar.  Falam em línguas estranhas, proferem profecias em suas comunidades de fé, porém em casa os sons que saem de suas bocas têm conotação contrária e diferente. São sons torpes, cheios de ira, de ódio. O amor ágape não está em evidência. A Bíblia diz que nada disso vale se não houver a manifestação do amor prático, do amor serviço, do amor doação.
E o que dizer da fé e da caridade (boas obras)? De que vale estas demonstrações de palanque, de comício? Não têm valor quando o amor não está em evidência. O amor genuíno deve ser evidenciado nas escolhas que fazemos. O amor deve ser tudo para todos. Onde existe amor, o medo não prevalece porque a Bíblia diz que o perfeito amor lança fora o medo, por isso ele não pode ser barganhado, pechinchado, leiloado. Pelo contrário, precisa ser espontâneo e autêntico.
“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece...” (I Coríntios 13:4.)

O verdadeiro amor dever exercitar a paciência. Paciência na Bíblia dá-nos idéia de perseverança. É o ato de prolongar, adequar o coração a resignar-se na esperança de tempos e soluções melhores. Muitos casamentos se desfazem como areia entre os dedos devido à falta de paciência, de perseverança. Nós, seres humanos, temos a tendência a mudar de opinião constantemente sobre alguma coisa que nos incomoda e o fazemos sem pensar duas vezes. Somos movidos em extremo pelas emoções que dominam o nosso ser. O Apóstolo Tiago nos diz em sua carta: “... a perseverança precisa ter ação completa, para que sejamos maduros.” (Tiago 1:4.)

O amor fíleo, na maioria das vezes, não entra em ação para dar o tom de harmonizar os relacionamentos. Achamos mais fácil fugir, deixar para depois possíveis confrontações em amor, sermos intolerantes, partir para outro relacionamento quando julgamos que a nossa paciência chegou de vez no seu limite. Esquecemos que talvez o círculo do amadurecimento ainda não teve a sua ação completa no problema que estamos enfrentando. Para uma relação de amor ser autêntica, a paciência é tremendamente necessária na consolidação das idéias. Não vale a pena se desesperar ou partir para soluções inconvenientes, arbitrárias e impensadas. Lembre-se: “O amor precisa ser paciente.”
Além da paciência, o amor deve ser benigno, isto é, cheio de bondade. O amor tem urgência em ser benigno, bom, porque a sua origem está em Deus que também é bom, prazeroso, agradável. A paciência trabalhada, com certeza, fará o processo de solidificação de uma forma benigna, salutar.
Existem outros fatores que precisam ser observados em um relacionamento de amor que se preze. Trata-se dos sentimentos de inveja, de soberba, de vanglória. Jesus nos adverte no Evangelho de Marcos: “...O que sai do homem, isso é que o contamina. Pois é do interior do coração dos homens, que procedem aos maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.”  (Marcos 7: 20-23.)

O amor verdadeiro não se porta inconvenientemente.
“O amor não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal.” (I Coríntios 13:5.) Não se portar inconveniente é o testemunho, a maneira de proceder de cada pessoa individualmente e como casal diante de Deus e da sociedade. O testemunho é, de fato, a qualidade do fruto de uma vida moral inquestionável, santa, porque com certeza, serão observados de um modo geral.
A verdadeira unidade de um casal também deve estar solidificada em um processo de cumplicidade amadurecida, o que não deixa espaço para uma busca de seus próprios interesses, não se irritando nem suspeitando mal.  Cada qual deve viver em função do outro, do bem estar do outro e isto deve ser feito com qualidade. O subproduto de querer fazer o melhor para o cônjuge resultará, sem dúvida em felicidade para ambos.
Deus abençoe a sua vida em família.

* FONTE:

Pr. Nélson R. Gouvêa
www.ministeriocomfamilias.com.br

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